EXISTE
Ah, vida.
Há um desespero e um alívio,
Insistentes, pulsantes, gladiadores inimigos.
Há um suspiro nervoso e um grito estridente
Combatentes, persuasivos, frenéticos, incessantes.
Há uma paz estranha e um barulho vazio
Que passam e voltam, ficam e vão, são e não.
Há uma pele escamosa e cristalina e uma língua bífida
Que ressonam seus dizeres pelo ar como a água escoa.
Há ritmo, um ato, um pedido, um rato e eu
Aqui comigo nesse labirinto escondido.
Há um mundo mutante e inteiro de vias,
Há a mesma forca e bandeira que havia,
Há mais que há no universo
Nesse ponto ínfimo que faz merda.
Há uma hemorragia incolor reversa
De fora para dentro e profundo
Que traz do mundo tudo que é dele.
Há a dualidade, assassinando a decisão.
Há o certo e o errado benzênicos.
Há o fim, há o começo, há o infinito, há vida.
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